Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes para fornecer a melhor experiência no nosso website. Política de Privacidade
PT EN

Dia Nacional da Água – 99 % de água segura é uma conquista notável e um legado imprescindível para as próximas gerações

2022.10.01

Atingido o patamar de excelência na qualidade da água na torneira, com 99 % de água segura, importa refletir sobre os desafios futuros do setor e a sua relação com a manutenção deste patamar.

Em Portugal continental, a qualidade da água na torneira apresenta, há vários anos, um nível de excelência, alicerçada por um controlo exigente das normas legais europeias e por um acompanhamento rigoroso e coordenado dos diferentes atores no processo. De acordo com os últimos dados do volume 2 do relatório anual dos serviços de águas e resíduos – RASARP, o indicador "Água segura", da ERSAR, situa-se nos 99 %, confirmando a tendência positiva deste indicador há três anos consecutivos. 

Tendo-se atingido este patamar de excelência, de valor incalculável, importa refletir sobre alguns dos desafios futuros que o setor enfrenta para a manutenção destes níveis já que os mesmos resultam de uma conquista diária e, como tal, não devem ser considerados como um dado adquirido e imutável.

O acesso a água potável (em quantidade e qualidade) é um dos desafios mais prementes nas próximas décadas, considerando, em particular, as alterações climáticas, o cenário de seca meteorológica e a escassez hídrica mas também os poluentes emergentes e o controlo da qualidade da água suportado numa avaliação do risco holística, desde a origem até à torneira, previstos na nova Diretiva da Qualidade da Água para Consumo Humano, em processo de transposição para o direito nacional.

Apesar da quantidade da água disponível não afetar diretamente a qualidade da água na torneira, as condições meteorológicas extremas modificam o equilíbrio normal das massas de água e dos ecossistemas, pelo que as alterações climáticas poderão, em teoria, ter um impacto indireto na qualidade da água se, por exemplo, houver menos água disponível nos rios e albufeiras devido à tendência de secas; se ocorrerem mais incêndios, com a consequente erosão dos solos e contaminação dos cursos de água; se houver uma aposta excessiva no modelo de agricultura intensiva; ou ainda se não se reduzir o uso de pesticidas, o que provoca contaminação dos solos e das massas de água. 

Em termos da quantidade, o grande desafio prende-se com o uso eficiente da água, que implica uma abordagem integrada e a implementação de medidas para reduzir perdas, questão fundamental e que requer investimento em monitorização e reabilitação de infraestruturas. Por outro lado, é necessário diminuir a vulnerabilidade perante situações de escassez, com planos de contingência e medidas estruturais e ainda assegurar a sustentabilidade económica e financeira dos operadores, para permitir a realização dos investimentos necessários. A este propósito, é importante que as tarifas reflitam o custo real do serviço e que se garanta o cumprimento do princípio do utilizador pagador, enquanto regra que pode ter exceções justificadas. 

Adicionalmente, numa perspetiva de economia circular e de origens de água alternativas, a água residual tratada pode ser sujeita a um tratamento adicional de afinação, tornando-se apta a ser utilizada em usos não potáveis, como a lavagem de contentores e de ruas ou a rega de espaços verdes.

Por último, uma boa gestão deste recurso essencial passa também por, enquanto comunidade, valorizarmos adequadamente este bem e mudarmos comportamentos, reduzindo o consumo excessivo, ao mesmo tempo que adquirimos uma maior consciência sobre o ciclo urbano da água. De facto, até que a água chegue com qualidade às nossas casas é necessário percorrer várias etapas e até que as águas residuais sejam devolvidas à natureza têm de ser tratadas de forma adequada. Este é o ciclo que suporta os serviços essenciais de abastecimento de água e de saneamento de águas​ residuais urbanas. Efetivamente, ter água potável nas nossas torneiras é uma conquista diária, um trabalho contínuo e um legado imprescindível para as próximas gerações.



 

 

Sessão de apresentação sobre “Regime legal da qualidade da água para consumo humano - Novos desafios e atribuições às autoridades de saúde”https://www.ersar.pt/pt/site-comunicacao/site-noticias/Paginas/webinar-regime-qualidade-agua-autoridades-saude.aspxSessão de apresentação sobre “Regime legal da qualidade da água para consumo humano - Novos desafios e atribuições às autoridades de saúde”A ERSAR disponibiliza as apresentações e conteúdos relacionados da recente sessão promovida em colaboração com a DGS e as autoridades de saúde regionais.2024-07-04T23:00:00Z
ERSAR publica relatório de Recolha Seletiva de Biorresíduos Alimentares - Resultados do Inquérito de Diagnóstico de 2024https://www.ersar.pt/pt/site-comunicacao/site-noticias/Paginas/relatorio-recolha-seletiva-biorresíduos.aspxERSAR publica relatório de Recolha Seletiva de Biorresíduos Alimentares - Resultados do Inquérito de Diagnóstico de 2024Considerando a relevância da recolha seletiva destes resíduos para o cumprimento das metas de preparação para reciclagem e reutilização e de desvio de aterro, a ERSAR realizou um inquérito junto das entidades gestoras a nível nacional.2024-07-09T23:00:00Z
Publicada nova legislação relativa ao controlo da qualidade da água para consumo humanohttps://www.ersar.pt/pt/site-comunicacao/site-noticias/Paginas/publicada-nova-legislacao-controlo-qualidade-agua-consumo-humano.aspxPublicada nova legislação relativa ao controlo da qualidade da água para consumo humanoFoi publicado o Decreto-Lei n.º 69/2023, de 21 de agosto de 2023, que determina as novas regras de controlo da qualidade da água para consumo humano.2023-08-20T23:00:00Z
Publicada a Decisão Delegada (UE) 2024/1441 da Comissão de 11 de março de 2024 estabelecendo uma metodologia para medir os microplásticos na água destinada ao consumo humanohttps://www.ersar.pt/pt/site-comunicacao/site-noticias/Paginas/decisao-delegada-controlo-qualidade-agua-microplasticos.aspxPublicada a Decisão Delegada (UE) 2024/1441 da Comissão de 11 de março de 2024 estabelecendo uma metodologia para medir os microplásticos na água destinada ao consumo humano2024-07-18T23:00:00Z